29 abril 2026

Torto Arado: A luta da ancestralidade e a formação da identidade de um povo


O livro "Torto Arado", de Itamar Vieira Junior, não resgata a fala do povo em que a história é narrada. Mesmo não fazendo esse resgate da fala, ele conseguiu levar elementos e costumes antigos que ainda se encontram presentes em nossa atualidade; faz com que o leitor sinta-se, muitas das vezes, dentro do livro. O traço se torna contemporâneo e quebra a visão de regionalismo; ganha um sentido universal na medida em que a história é narrada, não como forma de resgatar as tradições apenas, mas de fazer com que o leitor seja levado ao contexto do que foi narrado por Bibiana e, mais à frente, Belonísia. No desenrolar da história, também dá para sentir a mudança de estilo de escrita, como se apontasse Belonísia com uma idade avançada. O autor soube diferenciar a forma que cada uma narra a história, o traço da escrita e o aspecto de cada uma: de alguém que foi ganhando uma visão politizada para alguém que se tornou da terra e que ganhou essa visão com o tempo, assim não unificando a narração e dando sentido ao contexto. A terceira personagem narrando a terceira parte do livro é Santa Rita Pescadeira, o que se faz necessário para amarrar a história que foi traçada da primeira parte até a última, lembrando que a história é dividida em 3 partes: Fio de Ferro, Faca de Ponta e Rio de Sangue.

A obra, se comparada com o regionalismo, em que muitas das obras descreviam a transição da região para a urbanização, a civilização de seu povo, o surgimento do comércio e da industrialização, ganha importância no fato de que houve a ocupação do espaço e de que havia sempre pessoas que ali chegavam na busca de moradia e trabalho; o desenvolvimento se torna a questão de visão política, do contexto social e da crença. De forma fluida e contemporânea, a obra ganhou um aspecto que tem chamado a atenção de diversos críticos literários: a renovação e a fluidez das ideias. O autor universalizou a obra de acordo com a visão de um autor de nossa atualidade, sem abrir brechas para que a leitura se torne cansativa. Essa visão não é uma forma de descartar as obras regionalistas escritas por pessoas daquela época; deve ser entendida como uma obra feita por alguém que já se encontra na contemporaneidade e sujeito a mudanças provocadas pelo tempo, visão também que vem a partir de anos e anos de estudos. Alguns comparam à Literatura Periférica; pelo contexto histórico é a partir da abolição que surgem as periferias; essa visão é importante na medida em que o ser passa a conhecer o contexto histórico presente no livro e a formação do povo, que por sua vez lutava por moradia e trabalho.


Nem toda obra tem que ser lida como regionalista somente pelo fato de ter sido escrita no Nordeste e conter os traços ou falas nordestinas. Desde que se sabe que há outros elementos presentes que podem oferecer outras classificações, a obra também é afrodescendente, no resgate de elementos tradicionais inseridos no contexto da história e seus elos políticos, sociais e humanos.


A terra Água Negra é um reflexo de um passado em que os que foram libertos na escravidão passaram a ganhar um pedaço de terra para morar e, em troca, pagar através do que produziam nessas terras. Bibiana descreve com precisão o quanto aquilo era um meio de exploração dos que ali habitavam diante do proprietário, que não somente cobrava o trabalho braçal, como também parte do que era ganho através das vendas externas. A necessidade da existência de escolas para que os filhos dos trabalhadores tivessem o direito de aprender a ler e a escrever despertou a sede de Bibiana de explorar outros lugares; logo surgiu o primo Severo, que queria sair de Água Negra para explorar outros ambientes; surgiu uma visão política.


A curiosidade de Bibiana e Belonísia de saber o que Donana guardava na mala é o aspecto de qualquer criança que quer descobrir os mistérios que lhe são reservados em segredo, porém havia a consciência de que, ao abrir aquela mala, iriam desapontar Donana, que muito nelas confiava. O acidente que ambas sofreram e a língua de Belonísia, que foi atingida, apontaram que não havia hospital em Água Negra e que tinham de ir para a cidade, o que matou a curiosidade de ambas em saber como era o caminho, diante da situação pela qual passavam. As mãos de Donana pesando em suas cabeças são, ao mesmo tempo, o sentimento de culpa e preocupação e a ligação de acontecimentos passados que voltava a preocupar. O pai seguia a tradição preparando ervas para curar a filha, mas a chegada ao hospital fez com que ele mudasse de postura como forma de não receber retaliação por seus feitos tradicionais. Como se entrasse na história de "Mil e uma Noites", onde se estabeleceu a justiça e a razão, houve o reconhecimento de Zeca Chapéu Grande de que a sua prática não era aceita e a ocultação de sua identidade. Voltando-se a Belonísia e a Bibiana, esse ciclo se fecha como dois elos de forma contrária: enquanto na história árabe Sherazade usa a palavra para adiar a morte, em "Torto Arado" o silêncio de Belonísia e a voz de Bibiana se tornam ferramentas de sobrevivência. Enquanto o pai oculta a voz para sobreviver ao sistema, como razão de sobrevivência, Bibiana expõe a voz para mudar o sistema, como razão de luta, e Belonísia usa o silêncio para não ser destruída por ele, como razão de existência. Quanto à mãe? Salustiana assume o papel da busca de compreensão dos elos.


Donana, por sua vez, busca dar fim à faca que carregava o peso de tragédias passadas e, em um gesto de tentativa de apagamento do trauma, enterra o objeto em uma área próxima ao rio, esperando que a terra e a umidade consumissem aquele segredo. No entanto, anos depois, após a fuga de Bibiana com Severo, Belonísia, já em sua fase de amadurecimento e solidão na fazenda, a encontra novamente ao cavar o solo. Esse ciclo se torna essencial na narrativa porque marca a transformação da dor em resistência e diferencia o papel das irmãs: enquanto Bibiana parte para lutar através da política e das palavras, Belonísia permanece como a força guardiã que preserva a ancestralidade no território. O que antes era um símbolo de mutilação e silêncio forçado, ao ser desenterrado, transmuta-se em um instrumento de justiça; a faca deixa de ser uma ferida na linhagem das mulheres da família para se tornar a ferramenta que, nas mãos de Belonísia, finalmente corta o ciclo de opressão imposto pelos senhores da fazenda.


A compreensão plena desse ciclo só se completa próximo ao final do livro, quando as camadas do passado de Donana são reveladas: a morte de seu primeiro marido e a violência de seu segundo companheiro, que culminou no abuso sofrido por sua filha, Carmelita. Revelam-se trauma ancestral, o assassinato do agressor cometido por Donana com aquela mesma faca e a subsequente expulsão de Carmelita. Ao desenterrar a faca, Belonísia não resgata apenas um metal, mas reconecta-se com toda a história de sobrevivência, substituição e silenciamento da linhagem de sua avó Donana.


E, é claro, diante desse contexto, há a necessidade de alguém que seja visto como uma 'cura dos problemas'. O autor soube colocar essa questão em que Zeca Chapéu Grande era, além de um líder de família, um curador da região através do conhecimento das ervas e das tradições que mantêm e sustentam os elos de todo um povo que se reencontra e se identifica; destaca-se a importância do terreiro em um ambiente em que muitos estavam ali ocupando espaço como meio de garantir a moradia e o alimento. O jarê tornou-se um espaço de resistência.


Surge a importância das parteiras e o seu papel fundamental: de Donana ao filho Zeca Chapéu Grande, que fazia esse trabalho e ao passar para a esposa Salu a responsabilidade de ser parteira. É mostrado também o fato de ele ser homem e o quanto isso o deixava constrangido, bem como a questão de receber entidades femininas e a caracterização de acordo com elas; Zeca Chapéu Grande tinha que fazer uso de saias. Isso não tirava dele a visão de importância que tinha para todo o povo que ali vivia e se instalava ao longo do tempo.


A descoberta da traição entre as irmãs Crispina e Crispiana foi mais um dos pontos alarmantes. A gravidez de ambas, causada pela mesma pessoa, é um dos pontos críticos que faz com que se reflita sobre uma questão delicada, não somente de traição, mas também de desolação, sofrimento e o enlouquecimento diante da descoberta e a busca de cura através da ajuda de Zeca Chapéu Grande. Ele teve que hospedar a paciente até a cura, apontando se a situação era curável. Uma delas perdeu o filho, e a que perdeu o filho virou mãe de leite; o que aproximou as irmãs novamente, isso foi o que ficou refletido na mente de Bibiana, pois ela viu todo o contexto e escutou de que o pai das moças queria matar quem as engravidou.


Apesar de muitos verem o relacionamento entre primos como pecado, não era estranho para aquela época e região pequena, em que muitos acabavam se atraindo e gerando família. Bibiana, ao entregar Belonísia para a mãe dizendo que ela estava com Severo, fez com que ela levasse uma surra; essa passagem mostra a inocência de duas crianças que ainda não tinham maldade e a forma com que os adultos as puniam. Aponta também o ciúme de Bibiana por ser a mais velha e mostra a visão avançada da irmã. O caso de Severo com Bibiana e a gravidez dela fizeram com que ela refletisse sobre o que escutou, despertando o medo da reação dos pais e de como as demais pessoas veriam isso. A necessidade de fugir tornou-se presente, não somente para lutar por uma vida melhor, mas pelo que poderia acontecer caso permanecessem em Água Negra.


Donana é o ser que ganha importância pela sua idade e vivência. Ela leva os leitores a momentos em que vemos senhores de idade falando sozinhos; cochichando palavras que, muitas vezes, tornam-se incompreensíveis, remetendo a lembranças de avós que falavam sós enquanto costuravam. Donana fala sozinha como forma de manter vivos os antepassados e seus acontecimentos, em um diálogo de conciliação, enxerga a neta como se fosse a filha Carmelita. O respeito aos mais velhos é o que a tradição preza; saber que ela já estava em idade avançada e trocando os nomes das netas, ou vendo o cachorro Fusco como uma onça. Ao longo da leitura, entendemos os motivos: a quebra de obrigação de assumir o jarê, o filho castigado ficando louco, a fuga e o que tornou Zeca Chapéu Grande uma peça importante para Água Negra.


Com a partida de Bibiana, Belonísia assume a narração, apontando a injustiça de terem que dar parte do que produziam para a família Peixoto através do gerente Sutério e o abuso de ele apropriar-se do que era plantado e vendido; isso mostra Belonísia deixando de ser criança. O surgimento de Tobias, escolhido pelo pai para morar com ela, reflete a época em que muitas não escolhiam com quem se relacionar. Bibiana foi diferente, e talvez por isso Belonísia tenha sentido como se tivesse traído a irmã com a denúncia do passado. Diante do mistério do chapéu grande, Donana passou a ser chamada apenas de Donana, e Zeca levou o restante do apelido.


Ao morar com Tobias, Belonísia deparou-se com a casa suja e sentiu vontade de voltar para os pais. O autor mostra que ela foi entregue ao papel de dona do lar; ela assumiu a tarefa como se fosse o normal da vida de um casal. Tobias vai trabalhar, comunica a Belonísia de que ela pode preparar o almoço. No retorno de Tobias, ele bebe, ela serve o almoço e fica ao seu lado, criando a ideia de fidelidade e submissão. O contato sexual era algo esperado, mas ela não sabia como começar; sentiu alívio quando não aconteceu logo na chegada, o que aconteceu pela noite, o silêncio de Belonísia representa também a sua violação; a leitura não tem que ser feita somente como se fosse um acidente anterior. A questão da agressão da mulher o que muito acontecia em Água Negra. A Maria Cabocla correu até a casa de Tobias e encontrou Belonísia, Maria Cabocla ficou com medo de apanhar do marido Aparecido. Isso fez com que Belonísia refletisse que Tobias também poderia se tornar um agressor físico, o que quase ocorreu mais adiante. Com o tempo, Tobias passou a chegar embriagado e a questionar Belonísia, até derrubar o prato de comida e gritar sobre o fato de ela ser muda. Ali nasceu o que se esperava: o homem assumindo o papel de quem dita as regras, vindo da criação, da religião e do que o Estado impõe.


A descoberta do falecimento de Tobias ocorre em uma trama de mistério. Belonísia torna-se viúva, carregando um fardo como o de Donana. No velório, a família esperava que ela demonstrasse sentimento, mas ela sentiu vontade de rir, embora soubesse que não soaria bem. Ela decide morar sozinha na mesma casa, uma decisão firme de autonomia, reconhecendo que o espaço lhe pertence pelo que cultivou. Maria Cabocla aparece novamente com medo do marido, e Belonísia vai ajudá-la, sentindo o instinto de arrumar o desarrumado. Maria Cabocla expulsa Aparecido, que questiona ser o dono da casa, enquanto os filhos clamam para que ele fique, habituados à violência. Belonísia preocupou-se com o sustento da amiga sem um homem, visão herdada dos antepassados, mas compreendeu a necessidade daquela nova vida.


O retorno de Bibiana e Severo trouxe a construção de uma casa próxima aos pais, mantendo os costumes. Bibiana torna-se professora, e Severo leva adiante ideias sindicalistas, respeitando Zeca Chapéu Grande. Zeca foi aposentado pelo Estado, o que via como indenização pelo suor derramado, após dificuldades com documentações junto aos proprietários. Com a morte de Zeca, o livro resgata sua história como José Alcino da Silva, algo necessário para dar sentido às partes anteriores. Também discorre sobre o contexto geográfico dos diamantes e a busca da riqueza.


Rita Pescadeira narra a morte de Severo, provocada pelos donos da terra, como o Coronel Salomão, como forma de silenciamento. Apesar de serem vistos como moradores, a exploração continuava sob uma falsa justiça de posse. Severo foi fundamental na garantia de direitos, e isso custou sua vida. Bibiana assume seu papel através da visão social e justiça. Na narrativa, percebe-se a terceira voz, de Santa Rita Pescadeira, que se mistura às vozes das irmãs. Após a morte de Severo, uma falsa investigação policial acusou-o descabidamente de tráfico de drogas, causando indignação. É a luta continuada pelo direito à terra e por casas que não sejam de barro, mas de materiais resistentes como as dos proprietários, casa essa que muitos nutriram a vontade de incendiar como forma de justiça pelo assassinato de Severo.


A personagem Estela entra em cena como forma de apontar que também havia o conflito religioso, já que ela era evangélica e tinha o papel de evangelizar e ir contra a tradição que ali foi cultuada. A esposa do novo proprietário, Salomão, mostrou que não houve apenas mudanças que geraram conflito entre as partes. A polícia se tornando presente e os crimes que passaram a surgir como forma de silenciar os demais fortaleceram a sede por justiça entre os que ali habitavam, mas houve também um choque político, cultural, social e religioso: o entendimento de que aquele povo é quilombola e a tentativa de negação de suas raízes.


A obra revela que, diante do apaziguamento que Zeca Chapéu Grande estabeleceu com os proprietários da terra como forma de demonstrar gratidão pela moradia e trabalho, Severo teve uma grande importância na conscientização da população que ali habitava. A morte de Zeca trouxe um novo roteiro, assim como a venda das terras para um novo proprietário, o Coronel Salomão. Mais adiante, a morte de Severo foi o estopim para que a luta por justiça ganhasse força real. O assassinato injusto e o descaso das autoridades romperam o antigo vínculo de gratidão e silêncio que antes impedia o confronto. A partir desse evento, a indignação de Bibiana e de todo o povo transformou-se em uma consciência política ativa, provando que a justiça não seria concedida de forma pacífica, mas sim conquistada através do reconhecimento do próprio histórico de exploração e do direito legítimo à posse da terra e indenização.


Portanto, Itamar Vieira Junior conseguiu, através da sua obra "Torto Arado", apontar o lado social e humano de todo um povo que conseguiu sobreviver aos impactos da abolição e suas consequências. Estas levaram os demais a lutar pelos seus direitos de moradia e pelo não apagamento de suas raízes, firmando-se no que já lhes pertence por direito e no seguimento da luta por justiça, não somente contra o que o reflexo do antepassado tentou vetar, mas também contra o que, na atualidade, ainda tentam negar de forma disfarçada.

Referência de leitura: VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. 1. ed. Rio de Janeiro: Todavia, 2019.


Foto: Giovanni Marrozzini/Intercept Brasil.


23 abril 2026

Sina

A tragédia
Também produz dinheiro,
Para quem vive
Na ambição
De tirar proveito.
Tem gente lucrando
Da nossa miséria,
Tem gente lucrando
Da nossa desgraça,
Tem gente
Manipulando a nossa
Mente,
Tem gente zombando
Da gente.
Tem gente
De tudo que é jeito
Que tira proveito
Da nossa crença,
Que brinca
Com a nossa humildade,
Que brinca com a nossa
Lealdade:
- Sociedade vivendo na cegueira.
Tem gente que nos separa
Em oposição.
E sustentamos
Todo o sistema,
Para o nosso próprio
Desespero,
E ser visto
Como bom
Cidadão.



Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

22 abril 2026

O amor em cada sorriso

Como pode o amor se perder
E sequer ser encontrado,
O amor se perdeu por entre
A beleza, e por lá ficou.
Mas o amor, o amor pode se perder?
Logo o menino saiu
Pela estrada,
E viu uma flor, sorriu
Viu os olhos da menina distante,
E sorriu,
Viu o barquinho de papel
Navegando pelo mar
E sorriu, fez um aviãozinho
E sorriu, e o amor
O amor encontra-se no olhar
De quem sabe ver a vida,
E levar na face um belo sorriso.
O amor foi encontrado,
E quem semeou o amor
Semeou pra todos
Pra que possamos saber
Viver, e quem vive
Carrega dentro de si
O amor, em cada
Sorriso.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


19 abril 2026

A Democracia Sob Ataque: Da Colonização do Imaginário ao Hackeamento Biológico

A democracia, quando foge de seus princípios éticos e morais, torna-se ameaçada e limita-se a uma pequena quantidade de pessoas, formada por uma base elitista. Esta, por sua vez, acaba se tornando uma "maioria" diante daqueles que não têm acesso à tecnologia ou que, tendo acesso, limitam-se ao que os algoritmos impõem, caindo nas mãos de poderosos da macroeconomia. Logo, a democracia cai nas mãos de grupos que visam, muitas vezes, perpetuar-se no poder, gerando uma falsa democracia. Essa gente ganha uma capacidade enorme de manipulação social por meio de gigantes como as Big Techs, que manipulam a verdade transmitindo falsas ideias convencionais.

Essas gigantes da tecnologia vêm ganhando força na sociedade, que consome o que o algoritmo transmite: conteúdos monetizados que geram engajamento, mas que podem causar um grande estrago psicológico naqueles que se condicionam a aceitar como verdade tudo o que é consumido. Devido a fatores convencionais que unem o verdadeiro e o falso, o ser humano acaba moldado a ponto de defender princípios que, muitas vezes, entram em desencontro com seus próprios interesses. Essa definição é conhecida como "colonização do imaginário". A democracia, por sua vez, acaba perdendo seus elos, impactando a sociedade que não consegue exercer sua função democrática através de ideais e princípios; gera-se discórdia e promove-se o ódio sob o pretexto de liberdade de expressão e preconceito.

É necessário compreender cada um desses pontos: quando o algoritmo vende o ódio e o preconceito como se fossem coragem ou liberdade de opinião, funciona como um gatilho psicológico e emocional para os usuários como forma de lucro, monetizando o conflito gerado pela discórdia. Isso acarreta a quebra da fraternidade, impedindo que os cidadãos se unam em torno de interesses comuns que visam garantir seus direitos. Passamos a ser uma sociedade dividida e cheia de ódio, facilitando a manipulação de uma elite que busca a perpetuação no poder. Assim, a soberania é, muitas vezes, entregue voluntariamente; a democracia morre porque as ideias são asfixiadas e o debate torna-se manipulado e alheio aos princípios éticos.

Estamos diante de uma engenharia do ódio, onde o conflito é selecionado como forma de obter atenção, validando o que há de mais primitivo no ser humano como meio de lucrar. Criam-se inimigos imaginários a ponto de não haver espaço para a discussão de projetos de país que visem ao seu desenvolvimento; esse diálogo corrompe-se pelos gatilhos emocionais gerados pelos algoritmos. Sem que perceba, a sociedade torna-se o maior cabo eleitoral de quem visa dominá-la, abrindo mão de seus direitos reais para defender símbolos e conexões falsas impostas.

O Papa Leão XIV foi preciso ao alertar que a democracia corre o risco de se tornar uma "tirania da maioria" ou uma "máscara para o domínio de elites econômicas e tecnológicas". É necessário que a sociedade ganhe esse conhecimento e busque compreender o que ele quer transmitir, até porque essa "maioria" citada inclui também a sociedade já subordinada aos algoritmos, para os quais seus ideais foram vendidos. Ou seja, podemos estar apenas operando o software que a elite instalou em nosso imaginário, abrindo mão de direitos fundamentais em troca de símbolos vazios ou ataques a inimigos fabricados por quem nos quer manipular. Isso é o que se conhece como "voto de cabresto digital".

Essa questão é também de saúde pública e deve ser tratada como soberania cidadã, e não como ferramenta de disputa partidária. Isso demonstra a urgência da alfabetização midiática digital, da necessidade de debates amplos e contundentes sobre a temática e da importância da regulamentação da internet — algo que deve ser debatido com seriedade. A pressão econômica é um dos fatores que impede que a regulamentação dessas redes seja implementada seriamente: as Big Techs e as elites da macroeconomia possuem orçamentos que superam o PIB de muitos países e utilizam esse poder para fazer lobby, promover-se através da monetização e convencer o público de que qualquer regulamentação é um ataque à liberdade de expressão. Na verdade, a regulamentação seria uma defesa contra a exploração, que se torna cada vez mais presente com a Inteligência Artificial (IA).

É necessário reconhecer que grande parte da sociedade já foi afetada, o que faz com que muitos se sintam isentos de contrariar o que lhes é imposto. Além disso, parte dessas pessoas descobriu na rede um meio de gerar renda, o que fortalece ainda mais as gigantes da macroeconomia. Essa turma criou armadilhas perfeitas que prendem os usuários e os limitam. Como já descrito, isso é uma questão de saúde pública. Temos ideia de quanto isso tem afetado a sociedade, inclusive a cada um de nós? Eu não estou fora dessa lista. É necessário questionar.

É fundamental que especialistas falem sobre esse assunto com propriedade, sem ocultar o que já se tornou visível para muitos, mas que persiste camuflado. Se especialistas são impedidos de falar por trabalharem para as Big Techs, que surjam vozes independentes capazes de expor essa engenharia por trás do vício e do ódio. Discute-se não apenas a democracia ameaçada, mas toda uma sociedade adoecida. Quantas pessoas já foram atingidas? Não se trata apenas de um estrago de "opinião", mas de um dano psicológico que provoca alterações reais na química cerebral e no comportamento social, causados por gatilhos de dopamina e cortisol manipulados.

O ICL Notícias foi um dos veículos que abordou o impacto na saúde mental, ligando a "rolagem infinita" a prejuízos cognitivos que afetam a atenção e o controle de impulsos, mantendo a sociedade em estado de distração e ansiedade constante. Eles também possuem o projeto "A mão invisível das Big Techs". Este é um alerta que vai além do que o Papa Leão XIV traçou: não se trata apenas de um ataque ao sistema político, mas de um ataque aos neurônios de cada cidadão. Como se não bastasse dominar a política, é preciso "hackear" o sistema biológico, realizando uma verdadeira lavagem cerebral que nos controla pelo impulso.

Imagem da internet.


18 abril 2026

Contraste

Nada escuto, um refugio, de meu refúgio…
Busco um esconderijo, para me esconder.
Busco me distanciar, quero
Entrar em um outro mundo,
Quero entrar na fantasia,
Quero me manchar por entre as borboletas,
E seus pós encantadores.
Quero ali desmalhar,
Nada escutar.
Quero me prender, em um nada.
Tudo esquecer, e tudo lembrar.


Quero sair, deste casulo…
Quero escutar,
Quero sair do meu refúgio
Quero sair do meu esconderijo.
Viver em meu mesmo mundo,
Viver a minha realidade…
Se sujar nos poros das mariposas…
Quero ver o real,
Em meu ser, – quero viver!
Quero desmalhar, mas sonhar,
Poder acordar, e sentir.
Quero me prender, em um nada,
Quero ficar no tudo.
Tudo lembrar, e criar novas lembranças…


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


17 abril 2026

A Evasão Silenciosa e a Soberania Ameaçada: O Real sob Ataque

O dólar entra no Brasil de diversas formas e, mesmo que existam mecanismos de rastreamento, isso causa problemas à moeda brasileira. Quem lucra são as gigantes da macroeconomia mundial, o que impacta diretamente a estabilidade do real. O governo Trump está "brigando de barriga cheia" ao querer questionar o Pix brasileiro, especialmente diante do avanço das criptomoedas e da dolarização do real, ocasionada pelos investimentos convertidos da moeda local para o dólar.

Contudo, o problema não reside apenas nas criptomoedas, mas também nas plataformas de jogos e streaming que pagam através de anúncios ou tarefas. Isso prende o usuário a esses apps, onde o lucro real vai para os criadores das plataformas — empresas sediadas em paraísos fiscais ou nos EUA —, gerando um ganho que não contribui para a economia do país.

Além disso, a lavagem de dinheiro praticada por organizações criminosas causa um impacto muito mais profundo no real do que no dólar. Como essa lavagem utiliza mecanismos que impedem o rastreamento, como empresas fantasmas, esse recurso acaba sendo convertido em dólar, ocasionando uma quebra de capital. Logo, esse é um problema mais interno do que externo, mas que acaba favorecendo a moeda americana.

Portanto, Trump parece perdido, alimentando teorias da conspiração ao tentar intervir em uma situação interna brasileira que é promovida pelas próprias gigantes da tecnologia. Ele não as atacará, pois elas lucram muito explorando a situação alheia e garantindo que a riqueza continue saindo do Brasil em direção ao sistema que ele defende.


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16 abril 2026

Análise Crítica: O Capitalismo de Cassino e a Blindagem das Instituições

Não se fala mais em esquema milionário; fala-se de um esquema bilionário que envolve, inclusive, influenciadores. Compreender a situação do nosso país a partir desse aspecto talvez nos permita, de fato, entender as desigualdades geradas por uma pequena parcela que, além de acumular riquezas, compõe um esquema de corrupção bilionário. Descobre-se que a questão não é apenas a lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets, mas também através de plataformas de criptomoedas — muitas das quais, por serem regulamentadas no país, possibilitam o rastreamento de recursos.

Tudo aponta que a regulamentação das bets tornou-se necessária; porém, mesmo com ela, nada impede que os impactos negativos continuem atingindo o país, diante de uma sociedade já endividada pelo seu poder de consumo. O ditado diz que "o mundo é dos espertos" — algo passado de geração em geração e do qual não temos dúvida —, mas cabe destacar que toda essa "esperteza" está levando muita gente aos seus devidos julgamentos e condenações.

As bets não apenas trouxeram o endividamento de milhares de brasileiros, como também expandiram a entrada do dólar no país, assim como as criptomoedas que vêm sendo rastreadas. Diante dessa dolarização, cabe destacar a importância da moeda local e do Pix. Este meio de transação interna tornou-se muito mais eficaz do que as criptomoedas, que são menos seguras devido à sua volatilidade e à dificuldade de rastreio sem a quebra de sigilo internacional.

Ficou compreensível que o esquema não se tornou apenas local, mas transacional. Esse tipo de estrutura não culpabiliza diretamente o governo, e sim as instituições que compõem a macroeconomia mundial e criam mecanismos lucrativos diante da desgraça alheia — o que muitos teóricos chamam de "capitalismo de cassino". O governo, por sua vez, cria as devidas medidas restritivas; porém, há um sistema muito maior que envolve instituições blindadas que constituem a economia global.

Mas qual o sentido real de citar a eficácia do Pix diante das criptomoedas e do endividamento nas bets? Esta é uma forma de trazer questões atuais: quando o governo Trump demonstrou preocupação com o "Pix brasileiro", foi porque ele afeta diretamente os cartões de crédito de bandeiras internacionais (como Visa e Mastercard). Esta é uma maneira de explicar como funciona o capitalismo de cassino e a sua blindagem.

A regulamentação das bets acabou por normalizá-las. Não vemos anúncios apenas feitos por influenciadores, mas também em redes de televisão, camisas de clubes de futebol, através de apresentadores e até em jornais considerados sérios. Trata-se de uma monetização milionária que ultrapassa o teto nacional. Logo, essas instituições perdem a isenção para criticar o sistema, tornando-se parte da blindagem do capitalismo de cassino.

Portanto, compreender a situação do país exige olhar para além da superfície. O que se revela não é apenas um problema de apostas ou de tecnologia, mas a engrenagem de um sistema que monetiza o desespero e a esperança de uma sociedade endividada. Quando instituições que formam a opinião pública tornam-se dependentes dessa monetização, elas perdem a autoridade moral para criticar o sistema. Nesse cenário, o Pix e a regulamentação não são "salvadores", mas evidências de que o Estado tenta rastrear o que a macroeconomia mundial tenta ocultar. O verdadeiro desafio não é apenas punir a "esperteza" dos influenciadores, mas enfrentar um sistema transacional desenhado para acumular riquezas em uma ponta, enquanto fabrica desigualdades bilionárias na outra.


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15 abril 2026

Um pouco de mim

Escrevo para sobreviver o tempo,
Respiro cada escrita
E vivo para reviver cada momento.
Não tenho mais a pressa,
Muito menos correrei.
Seguirei, e assim
Vou aprendendo
Com os passos da vida.
Escrevo para ser lembrado,
E não ser esquecido,
Penetro no coração
Daqueles que me leem,
E deixo um pouco de mim,
Ou do meu eu-lírico.

Imagem da internet.


11 abril 2026

Um Olhar Sobre a Partida de Carlos Filhar

O caso de Carlos Filhar é um dos que mais me comovem, assim como outros que envolvem suicídio. Não é fácil compreender o que se passa na mente humana, o quanto muitas vezes o ser luta internamente e nem sempre encontra saída. Acredito que o mais doloroso seja deixar uma carta de despedida: uma tentativa de se explicar ou, quem sabe, de se sentir livre e confortar a todos.

Muitos julgam e condenam sem mais nem menos; muitos pouco se importam com o que de fato aconteceu. Vivemos hoje em uma sociedade que perdeu os sentimentos, a compaixão e a misericórdia diante das redes sociais. Que o jovem Arthur tenha paz, que ele tenha conforto e possa seguir adiante com os seus sonhos, mesmo diante desse triste acontecimento — ser humano algum deve carregar esse peso.

É completamente triste a forma como as pessoas que utilizam as redes sociais podem se tornar tão cruéis. Julgam sem mais nem menos, condenam da pior forma possível, quando, na verdade, deveriam sentir o que o outro sente, deveriam buscar confortar e estender as mãos. 


Carlos Filhar/Imagem reprodução 


10 abril 2026

A armadilha dos títulos e a falsa segurança das capturas de tela

Somos, muitas vezes, condicionados a ler o título e acreditar que já dominamos o conteúdo. Com isso, cometemos erros sérios. O título, por sua vez, serve frequentemente apenas para atrair o leitor, não expressando a ideia completa do que foi escrito. A captura de tela (print), que muitos incluem nos comentários para tentar atestar a veracidade de uma informação, acaba contribuindo para a disseminação de notícias falsas — principalmente quando não verificamos as fontes. Logo, acabamos sendo enganados, especialmente quando o print é alterado e inclui nome e logotipo de um ou mais sites confiáveis.

Mas por que muitos compartilham prints em vez de enviarem o link original? Talvez a resposta seja que o ser humano é condicionado a consumir a imagem e o que nela está escrito. O print, por sua vez, é uma das formas de prender a atenção por ser uma imagem fixa. Logo vem a pergunta: por que não é enviado o print junto ao link do artigo? Quem sabe, para muitos, essa venha sendo uma das formas de adulterar a informação, acreditando que o destinatário não verificará a veracidade do conteúdo.

Hoje em dia, vemos com frequência nos comentários das postagens capturas de tela de sites de notícias. Não apenas em comentários, mas também em postagens, esses prints são compartilhados sem o link original, o que dificulta a checagem dos fatos. Afinal, nem todos têm o hábito de pesquisar no Google o título que se encontra no print para conferir se a data é recente ou se houve alteração no titulo e na descrição.

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


Entre Ódio e Ideais: O Paradoxo da Política nas Redes Sociais

Na internet, quando o assunto é política, muitos preferem mesmo é destilar todo o ódio, provocar o outro ou até mesmo diminuí-lo o máximo possível. Convenhamos que não há um diálogo plausível em que todos possam entrar em consenso. Observo que as pessoas comentam postagens referentes à política não pelo fato de gostarem de falar sobre o tema, mas, sim, pelo fato de quererem atacar sem mais nem menos, muitas vezes desfazendo-se de uma ou mais publicações.

Já houve o tempo em que as pessoas tentavam dialogar, trocar ideias e até mesmo aprofundar-se no assunto, através de comentários que, por sua vez, buscavam discorrer sobre o que foi postado, visando não fugir do tema. Fazer publicações voltadas à política, ultimamente, vem sendo nada mais, nada menos do que correr o risco de ser atacado; há um grupo formado apenas para atacar, contradizer e se opor o máximo possível.

A sociedade não gosta de falar sobre política; entretanto, muitos levantam bandeiras e estão dispostos a fazer de tudo para defender seus ideais. Há uma falta de comunicação muito grande; muitos não levam o assunto a sério e, quando o tema é política, há quem apenas comente com memes, imagens e vídeos com montagens tiradas de contexto, como forma de desconstruir o que foi postado. Hoje em dia, o uso de capturas de tela (prints) de sites de notícias contribui muito para que pessoas maliciosas se utilizem disso para modificar a imagem e manipular as pessoas com fake news, como se não bastassem os discursos de ódio, seguidos muitas das vezes por comentários preconceituosos e distorcidos.

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.




S.O.S

A cidade é bela, seus pontos turísticos
O encanto daqueles que a ver
Na beleza da cidade, se esconde a pobreza,
A fome, o descaso e a pobreza (outra vez).
E pintam a cidade de azul, de cores calmas,
Para dar náusea nos olhos daqueles
Que enxergam a realidade, que se passa
Por entre os olhos.
A cidade por entre suas luzes, e toda a escuridão, e um tiro,
E gritos que não se calam,
Mães desesperada.
A cidade não cheira e nem fede,
Engana qualquer um,
Sem que ao menos perceba.
Pessoas embriagadas, pessoas drogadas,
Pessoas que roubam,
Pessoas que matam,
Pessoas precisando de colo,
Pessoas precisando de carinho,
Pessoas precisando de amor…

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Inusitado

Você desfilava
E eu aqui parado
Na praça, menino
Solto.
Levantei-me
E do nada você vinha…
Caderno, livro, lápis,
Borracha… Tudo esbarrando-se
No chão.
Lembro como se fosse hoje
Quando declinei-me
Para ajudá-la,
E você também declinava-se…
Minha mão em sua mão
E você fitava-me,
Não segurei-me, e nem você…
- Marcamos o casamento.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


O amor é cego

A beleza engana o olhar humano,
Sem que ao menos perceba.
O amor é cego (como dizem)
Quantas vezes cego, pode prender-se
Numa paixão que nunca existiu?
Correr o risco, é necessário!
(O que todos sabem)
Quem nunca ficou preso
Nos braços de uma mulher?
E ela, sempre a esbanjar o olhar
Faceiro. Querer e amar,
Não somos donos um do outro
Mas, no amor? (sempre quer ser!)
Eu sou seu, e você é minha
(Tudo isso é posse)
Todos acham belo, lindo...
Ah! O amor é lindo! (suspiram)
E sempre foi assim,
A minha mulher,
A minha companheira,
A minha... Ela é apenas
minha e de mais ninguém.
Cego, fica-se, diante do amor,
Cada um se entrega da sua forma.
Não bem se sabe, se é
Prisioneiro ou livre.
O que se sabe é que todo
Mundo quer um amor,
Quer um alguém
Para chamar de seu.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.



Asco

Monstros que nascem na humanidade
Não merecem ser felizes
(Sequer se importam com a própria felicidade)
Merecem o sofrimento diante das suas crueldades
Que vivem a fazer
(Coração maldito cheio de maldade).
Não me venha com essa de ser bonzinho
Àqueles que nasceram para fazer o mal:
- São cruéis a ponto de matar sem um pingo de remorso
Esquecem que fazem parte da própria humanidade
A quem tanto abatem
Em nome do poder, do autoritarismo,
Do que acreditam que está escrito no sagrado
Em nome do altíssimo
Impostores, são desumanos - verdadeiros carrascos!

Há quem seja pior que psicopata - sanguinário!
Há quem brinque com a nossa fé - oportunista!
Há quem nos engane e nos manipule - sanguessuga!

Há quem nos engane e nos faça de marionetes
Brinca com a nossa inocência,
Pensa que jamais abriremos os olhos
- Que lavagem cerebral
Vive nos fazendo o tempo todo.

E a gente se impressiona com as estatísticas
Enquanto não viramos uma -
É racismo, homofobia, xenofobia, misoginia...

E a gente se impressiona com o bombardeio
Tem gente fazendo até pipoca,
Tem gente que não se importa com as crianças
Assassinadas, não se importa com o sofrimento
De todo um povo e cria a guerra

Há quem faça da desgraça alheia uma festa!

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


09 abril 2026

Fragrância

Todo o seu ser preso ao meu.
Fisgar na plenitude cada momento,
Suspirar no relento sintomas de amor
Para que remédio?…

Está no seu braço e morrer
lentamente, você a olhar-me
Em forma de sorriso
Disfarço - estou bobo.

Diante do seu ser amoroso,
beleza extrema de minha vida,
Como a natureza, você inspira-me.

Quero respirar cada perfume,
E saber distinguir seu aroma
Doce e gostoso de sentir…


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


 

Imortal

O ano passa,
Tudo passa
E o que resta
É a vida
Daqueles
Que de fato
Quer viver.
Todo ser humano
É imortal
Quando ele
Quer viver
Eternamente.
Todo ser humano
É imortal,
Atravessa o tempo,
É sangue que germina
E nasce
Em várias formas.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


07 abril 2026

Realidade

Acordar cheio de esperança
Com a sede de melhorias
Sonhar feito criança
Com muita euforia

Respirar o ar puro
Sorrir para o mundo
Brincar com o futuro
Sem medo

E tudo vai entardecendo
Todos os sonhos também
E tudo parece esvair

Anoitece e vem a tristeza
E tudo se opõe, a vida é dura
- Amanhã é outro dia.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Atualidade

Quanto mais vazia e calma
Mais ainda é perigosa a rua
(Isola). A bola na rua
Simplesmente a bola
E o asfalto,
Não há quem queira mostrar talento,
Não há quem queira jogar uma pelada,
Não há quem queira fazer pontinho,
Não há quem queira...
Casas com grade
(Já não basta ter medo da marginalidade,
Tem que ter medo de doença
Invisível), a rua nua e doentia,
A rua nua prostituída
Por quem se aproveita
Da situação alheia
Para lucrar (sistema podre -
Capitalista).
No mundo de crença,
Onde muitos colocam
Deus acima de tudo
E carrega por dentro
A falta de amor.
Há ser que mata mais
Que droga,
Quantas pessoas são assassinadas
Por ano?
Calamidade pública,
Pobre nem sempre tem vez.
Humano nem sempre é humano
(Desigualdade social
É desumano).
A sociedade feito a rua
A cada dia, nua, vazia, calma,
Doentia...


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Caracol

Quem sabe muitas das vezes somos tontos
Pelo fato do mundo girar?
Muitas das vezes de cabeça
Pra baixo vejo o mundo
Querendo saltar.
As nuvens dos céus
Também dar vontade de vomitar,
Quando a tranquilidade é demais,
Tem de se desconfiar.
Quero uma dose de cachaça,
E um cigarro vagabundo
Pra passar o tempo,
Nos matamos aos poucos,
Pra ao longo dos anos
Dizer – que viveu bastante!
A ponte distante – nunca me verá
Saltar, não vou me afogar
No fundo do mar.
Antes do sino bater a despedida,
Poeta, deixa disso:

-Viver é a sua sina!

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


06 abril 2026

Bienal do Livro da Bahia 2026: Lançamento do Livro “Amanhecer Chorando” de Audelina Macieira

 

Capa do livro "Amanhecer Chorando", de Audelina Macieira.

A poetisa Audelina Macieira tem presença confirmada na Bienal do Livro da Bahia 2026, vai realizar o lançamento do livro “Amanhecer Chorando”, no stand da Cogito Editora, o evento vai acontecer do dia 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador.

Acessem ao perfil da Cogito Editora para mais informações: https://www.instagram.com/p/DWkQg8ODRfS/?igsh=MWJwOXhvZGVwc25peQ==

 Incluam na agenda de vocês!

O silêncio

O silêncio foi o sufoco
Por entre a escuridão,
O cérebro este labirinto
Via palavras, como se
Fossem escaneado,
Do presente ao pretérito.
O café em adrenalina
Corria pelo corpo,
Olhos vidrados,
Em pânico. Fantasma
Da vida, podem vim
Em formas de lembranças.
Um terremoto,
Visões, a busca do entendimento
Do eu e do não eu.
Retratos cortados,
Espelhos quebrado.
Fumaças em forma de neblina,
O conhaque não era
Mais o mesmo.
A caneta falhava,
As palavras não mais
Era o consolo.
Noites perdidas,
E uma poesia que
Não quer sair.
O poeta sofria a escrita,
Sofria a vida, a miséria,
A desgraça humana,
A guerra. Tudo foi
Bombardeado,
O software não mais
Armazenava os arquivos,
E muito menos processava.
A poesia queria esconder
A dor, as palavras
Se camuflam para se tornar
Em poesia. Não
Mais se tinha regra,
Métricas foram ultrapassada,
Apareceram carros,
Postes, prédios,
Pistas, e lembranças impagáveis.
Quero um sorvete,
Neste dia de pouco sol,
Para refrescar a memória
Ou suicidar-me no gelo.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


04 abril 2026

Faleceu a Editora da Íbis Libris Thereza Christina Rocque da Motta

 

Notícia triste, acabei de ver no perfil oficial da Thereza Christina Rocque da Motta, no app Meta (Facebook) sobre o seu falecimento, foi uma excelente poetisa, que nos deixa infelizmente, além de poetisa foi também tradutora, editora da Íbis Libris

Segue abaixo a publicação postada no perfil oficial, no app Meta (Facebook):

“Com profundo pesar, nos despedimos de nossa fundadora, Thereza Christina Rocque da Motta.Poetisa, tradutora, editora e uma incansável incentivadora da literatura brasileira, Thereza dedicou sua vida aos livros, às palavras e à construção de pontes entre autores e leitores. Sua trajetória deixa um legado imensurável não apenas na história da Ibis Libris, mas na cultura e na literatura do país.

Mais do que uma referência profissional, foi uma presença generosa, sensível e inspiradora para todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.

Seguiremos honrando sua história, sua paixão pelos livros e tudo o que ela construiu.

A cerimônia de despedida será realizada no dia 06 de abril, no Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro.Nos solidarizamos com familiares, amigos, autores e leitores neste momento de dor.

HOMENAGEM COROA DE FLORES:(21) 967854612″

Fonte: https://www.facebook.com/share/p/17HVYL2AnH/

Nota de Falecimento de Thereza Christina Rocque da Motta 


O amor

Os raios do sol nasceu,
Transbordando
Nas cachoeiras.
À vida surgiu
Em ciclo de
Perfumes de jasmins,
E a poesia nasceu.
Gostoso! é degustar
Cada partícula do dia,
E saber regar
As sementes
semeando ao solo.
gozar! À vida,
O amor, à amplidão,
E acima de tudo
ver, e saber Mirar e fitar
A alegria de um
Outro ser
Admirando
De tudo o filho
Nasce
ndo numa
Manjedoura.

Imagem da Internet.


Sentimento

Queria sair sorrindo
E realmente sentir
O meu ser interior bem
Eu queria contagiar todos
Com o meu sorriso
E sentir que por dentro
Elas também se sentem bem.
Eu queria dizer que estou bem
Sem ter que disfarçar
Eu queria olhar nos olhos
E a verdade,
A minha verdade encontrar.
Eu queria desejar bom dia
E sentir abraçado
Com as respostas dos passarinhos
Ou quem sabe das pedras
Que ali paradas muito
Deve ser a contar.
Eu queria - eu quero
Isso é determinação?
Eu quero, eu vou, eu consigo

- Meu bem, não quero
Me frustrar.
Eu não quero criar perspectiva,
Não quero que nada seja superficial
Eu não quero que nada seja feito
Como eu quero,
Que tudo seja feito como tem de ser
Sem que eu venha a planejar.
Se tudo tem que ser assim,
Ou se eu posso querer que seja assim.
Que nas dificuldades da vida
Eu aprenda a amar. 


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


03 abril 2026

Passagem

Foi um dia de chuva...
Minhas lentes molhada,
Visão embaraçada,
Pessoas na frente
Do mercado,
Esperando a chuva
Passar. Pessoas
Do mercado
Fazendo compras
Pessoas no bar
Embriagando-se
E outras conversando,
Alguns no lado de fora
Fumando cigarro.
Carros tocando diversas
Músicas em cada esquina.
Pessoas dançando
Alguns sentadas na praça
Como se não quisessem nada,
Faziam algumas paqueras,
Outros já namoravam
Na praça ou na esquina
Junto a um poste.
Casais andavam
De mãos dadas,
Crianças saiam correndo
Pela frente.
Enquanto os adultos
Matavam com cerveja
E cigarro,
As crianças se matavam
Com refrigerante,
E com o ar poluído,
Ar este que todos sofremos...
Os ônibus passam
Lotados, moleques assobiavam
E a mulher passava
Cheia de charme
Como se nada estivesse escutado.
Os carros, nem sempre
Andavam vazios,
Alguns carregavam a família
Para o interior,
E outros carregavam
Mulheres de vida fácil,
E se arriscavam
Em aventuras, alcool, cigarro,
Sexo e alta velocidade cerebral,
No dia seguinte.
Algumas mães desesperadas
Com a morte do filho,
Quem sabe de 11 anos...
Alguns corriam devido
Ao tiro, outros
Caiam no chão,
Alguns iam para o hospital
Morrer na espera,
E alguns morriam
Antes de chegar no hospital.
Milhares de pessoas vivendo
Na internet, dentro das redes
Sociais, milhares de pessoas
Conversando uma com as outras,
Mas, sentindo-se sozinhas.
Vendedor no meio da rua
Tentando vender as mercadorias,
Pessoas perdendo as mercadorias
Para a prefeitura.
Alguns pediam e outros assaltavam o trabalhador.
Pessoas de todos os tipos
De todas as formas,
De todo jeito.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


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