A crônica "A borboleta amarela", de Rubem Braga, publicada em 1952, tem se tornado um dos maiores desafios dos cronistas diante da realidade que vivemos hoje em dia e ao avanço tecnológico. É a sociedade que se tornou escrava do tempo, que vive às pressas e transformou a vida numa rotina que leva ao sentimento de significação e, ao mesmo tempo, de insignificância: casa, trabalho, menos lazer; a sensibilidade indo embora e nos tornando uma espécie de máquina condicionada, muitas vezes, às redes sociais e às falsas premiações.
Compreende-se que a realidade de vida hoje é outra; se naquele tempo já era difícil, hoje em dia é pior no quesito da nossa própria falta de atenção, ocasionada pelo choque de realidade e sua banalização. No lugar de abrir o jornal, abrimos sites de notícias — ou sequer os abrimos, lemos apenas o título e a descrição. A rolagem infinita desperta nossos hormônios de satisfação e prazer, mas também sentimentos de estresse. E não apenas o leitor passa por isso, como também o escritor, que sabe que necessita entregar exatamente o que muitos dos leitores buscam.
Por fim, quem sabe a questão hoje em dia não seja exatamente seguir os passos da borboleta amarela, ou tentar enxergá-la, mas a de reencontrar-se. A borboleta amarela na crônica de Rubem Braga surgiu como forma de apontar o quanto vamos perdendo a sensibilidade diante da urbanização e acabamos não enxergando as pequenas coisas, assim como ocorre em nossa atualidade com os avanços tecnológicos. No fundo, a questão não é sobre a borboleta amarela, e sim sobre o nosso próprio ser, atitudes e ações.

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