⏱️ Calculando tempo...
A borboleta amarela, no seu sentido real e figurado do olhar do cronista, passa por toda uma realidade e sobrevive diante do tempo que busca apagá-la. É toda uma sociedade vivendo a realidade e sendo incapaz de enxergar a beleza que pode se esconder diante do asfalto, ao movimento do ônibus e do táxi. O olhar sensível de Rubem Braga é surpreendente; não traça exatamente a fuga da realidade, mas para as pequenas coisas que se tornaram invisíveis ao olhar humano.A crônica "A borboleta amarela", de Rubem Braga, publicada em 1952, tem se tornado um dos maiores desafios dos cronistas diante da realidade que vivemos hoje em dia e ao avanço tecnológico. É a sociedade que se tornou escrava do tempo, que vive às pressas e transformou a vida numa rotina que leva ao sentimento de significação e, ao mesmo tempo, de insignificância: casa, trabalho, menos lazer; a sensibilidade indo embora e nos tornando uma espécie de máquina condicionada, muitas vezes, às redes sociais e às falsas premiações.
Compreende-se que a realidade de vida hoje é outra; se naquele tempo já era difícil, hoje em dia é pior no quesito da nossa própria falta de atenção, ocasionada pelo choque de realidade e sua banalização. No lugar de abrir o jornal, abrimos sites de notícias — ou sequer os abrimos, lemos apenas o título e a descrição. A rolagem infinita desperta nossos hormônios de satisfação e prazer, mas também sentimentos de estresse. E não apenas o leitor passa por isso, como também o escritor, que sabe que necessita entregar exatamente o que muitos dos leitores buscam.
Por fim, quem sabe a questão hoje em dia não seja exatamente seguir os passos da borboleta amarela, ou tentar enxergá-la, mas a de reencontrar-se. A borboleta amarela na crônica de Rubem Braga surgiu como forma de apontar o quanto vamos perdendo a sensibilidade diante da urbanização e acabamos não enxergando as pequenas coisas, assim como ocorre em nossa atualidade com os avanços tecnológicos. No fundo, a questão não é sobre a borboleta amarela, e sim sobre o nosso próprio ser, atitudes e ações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olá, muito obrigado pela leitura, deixe o seu comentário, desde já agradeço e muito pela sua atenção, volte sempre!