08 maio 2026

O Direito de Falhar Como Humano e Abraçar a Si Mesmo

Muitas das vezes, o ser se condiciona a criar o próprio herói ou heróis, assim como muitos também buscam pessoas perfeitas, caem numa verdadeira ilusão e acabam enganando a si mesmos. O ser erra na medida em que tenta transformar o outro ser em perfeito; muitas das vezes, chega ao ponto de fazer com que o outro acabe crescendo o próprio ego e criando desilusões que podem acabar afetando-o, e muito. O que será mesmo a perfeição? O que será mesmo perfeito diante da mesma? É necessário que tenhamos cuidado com o que buscamos e com o que pode acabar resultando no final: criamos as nossas próprias ilusões, frustrações e decepções.

Sem que ao menos venha a perceber, a gente pode acabar tirando de um ser a sua própria essência e sobrecarregando-o a acreditar que ele deve se mostrar perfeito. Surgem os conflitos internos: "Por que tenho que ser assim?", "Será que esse realmente sou eu?", "Quem eu quero enganar?", "Como reencontrar o meu próprio ser?". No fundo, nada é perfeito; tudo é nada mais e nada menos que maneira de olhar.

Diante de quem busca o herói ou os heróis, de quem busca pessoas perfeitas ou tenta transformar alguém em perfeito, existem também os testadores de honestidade. Assim como não existem pessoas perfeitas, jamais se deve testar a honestidade do próximo. Honestidade não nasceu para ser testada; a gente jamais sabe o impulso do próximo, muito menos sabemos as suas necessidades. Testar a honestidade dos outros é nada mais e nada menos que perder as próprias virtudes.

Não, não quero ser o herói, muito menos quero ser perfeito, assim como também não quero ser testado e muito menos quero ficar 24h provando honestidade. Até porque, na medida em que eu tento ser herói, perfeito, e passo parte do meu tempo tentando provar honestidade, falho miseravelmente como humano. Não quero que joguem em mim esse peso de carregar o que os que buscam nos outros tudo isso também não querem carregar. Seria melhor amar a si mesmo e desconstruir as ilusões que nos tornam cegos e cegam os outros também.

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.



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